terça-feira, 25 de maio de 2010

Dia 24 de maio de 2010

Com certeza, o dia 24 de maio de 2010 já se tornou um dia que eu, mesmo que queira, jamais esquecerei. Neste dia, eu senti uma emoção que jamais havia experimentado antes, até o momento não sei definir se era tristeza, alegria, satisfação, vazio, alívio, saudade, ou se um misto de tudo isso e ainda mais do que minha imaginação alcança. As pessoas que convivem comigo sabem que eu estava bastante ansioso por ontem, elas sabem que eu queria muito ver o último episódio de Lost.

Por muitas vezes eu falei que não conseguiria escapar do episódio final sem chorar, como já havia feito em episódios anteriores, eu tinha conseguido driblar a emoção e consegui continuar vendo o episódio. Falei tanto que ia chorar, que beirava a brincadeira, nem eu mesmo acreditava nisso, eu achava que ia só me emocionar, encher os olhos com lágrimas e parar por aí...

Eu não farei esse texto com o intuito de analisar Lost como uma série, e me tornar um crítico fajuto como exatamente 90% da população que assistiu o episódio final se tornou. Pessoas que não tem o mínimo conhecimento sobre o que é fazer uma série, uma história, um conto apenas... Elas apenas criticam e elogiam de acordo com seu gosto. Eu estou aqui para falar da emoção gerada em mim por Lost.

Um amigo meu me perguntou: "Com o que você se identificou tanto lá? Você por acaso caiu de avião em alguma ilha?" Não se trata do enredo em que a história está inserida e sim de diversos fatores que me levaram a uma conexão emocional com os personagens envolvidos, com a história... A história de cada personagem, seu passado sofrido, seu presente conturbado e seu futuro incerto foi apresentada de forma certa na medida correta, ao ponto de você considerar que está vendo uma série comum, que para você nem é uma das suas tops e derrepente você se pegar preso, envolvido, emocionado com os acontecimentos, ansioso...
Isso aconteceu de uma tal forma, que a cada personagem foi atribuído um carinho especial, um sentimento único para uma pessa única, era como se pudesse estar ali vivendo com eles... Me alegrava com suas vitórias, sentia suas derrotas, me decepcionava com seus erros e escolhas e acima disso, me identificava com seus pensamentos. Perto do final da série, acompanhando aquilo a mais de cinco anos, alguns personagens se tornaram companheiros seus, você os acompanhava, vivia com eles as emoções, a morte de algum deles era sentida...
A medida que a série passava, o vínculo surgido se tornava mais intenso e irreversível.

Daqui para frente começarei a falar sobre acontecimentos importantes da série, se você ainda pretende ver, não continue lendo.

Creio que um dos primeiros momentos que me geraram alguma emoção mais forte em Lost, foi a morte heróica do meu personagem preferido até então, Charlie Pace. Meu vínculo com esse personagem começou de forma banal, sem conhecer Lost me pediram para fazer um teste de personalidade e ver qual dos sobreviventes eu era, e caiu nele. Quando comecei a ver a série, resolvi prestar atenção no personagem. Quem me conhece sabe que eu comecei a ver Lost em 2006 e como nesse ano eu era revoltadinho, estava entrando de cabeça no mundo do metal, estava vivendo a minha juventude. Fora isso, várias outras coisas me encantaram no Charlie, coisas que eu via em mim, por exemplo: dos sobreviventes que estavam fazendo algo pelos outros como o Jack e o Saiyd, o Charlie era o que menos tinha capacidade para tal, ele não tinha muitas habilidades para isso e me sentia e me sinto como ele, incapaz de coisas, porém, ele mostrou o amor que existia em seu coração cada vez mais tornando-se uma grande qualidade e a sua forma de ajudar. De um drogado, de um qualquer um, de alguém mal visto para alguém que fez um dos mais heróicos, belos, intensos e verdadeiros atos de coragem e amor de Lost e aceitou a possível morte que sofreria e se sacrificou por todos, para que todos pudessem voltar para casa, sair da ilha mesmo que ele não.

Outro personagem que eu me afeiçoei bastante e logo se tornou personagem preferido também, foi Daniel Faraday. Nele, eu enxergava um homem superior intelectualmente ao resto e por isso meio deslocado em seus pensamentos, percebia-se certo esforço por parte do mesmo para que os outros pudessem o compreender. A sua morte foi bastante triste e nela passei ainda mais a me afeiçoar com ele, pelo fato de no seu leito de morte descobrir que a sua mãe que o mandara para a ilha no passado, já sabia que ela mesma o mataria lá.

Depois, Benjamin Linus, não sei dizer com qual personagem que eu mais me afeiçoei mas ele estaria entro os dois primeiros colocados. O que de mim eu vejo no Ben é o fato de sempre ele ter achado que era alguém especial, que ele podia liderar outros, que a sua missão era importante, ele era importante e sua vida tinha um significado maior que nem ele mesmo sabia, só poderia imaginar. Obedecendo cegamente a uma pessoa que ele jamais conheceu para que um dia ele pudesse receber a recompensa merecida de se tornar alguém como achara que era. Ben foi tido como manipulador, mau, frio e calculista e aí eu me identifico ainda mais com ele: na verdade, era ele o manipulado, o boneco nas mãos de outros e o pior, um boneco nas mãos de seus próprios pensamentos. Não espero que entendam o que acabei de dizer, mas ele era manipulado pela sua própria ambição sem ser da conta. Um dos momentos mais emocionantes para mim foi quando ele recebeu sua "redenção", onde ele foi julgado pelo que até então eu acreditava ser uma entidade única, a ilha, Jacob e não foi condenado e foi obrigado a obedecer ao homem que ele agora achava que era a pessoa especial que ele sempre achou que tinha sido.
Depois, perto dos episódios finais, a falta de esperança que derrepente invadiu-o e fez com que ele se entregasse a morte, aliando-se com o homem de preto, foi algo que me fez pensar muito: será que eu faria a mesma coisa? possivelmente, mas por que estou tão decepcionado? e porque essa decepção me incomoda tanto? talvez seja porque eu esteja decepcionado comigo mesmo. Mas mesmo aí, quando alguns levantavam a voz para dizer que sabiam que ele seria mal, eu dizia que tinha esperança nele, ele ainda antes do fim faria o certo e surpreenderia a todos. Era uma esperança que eu jogava nele ao mesmo tempo que em mim. Não deu outra para meu alívio, não queria vê-lo morrer, pois para mim Benjamin Linus foi um dos seres humanos que mais sofreu naquela ilha que ele tanto quis proteger. Um dos momentos que me fez derramar lágrimas, mas não as primeiras lágrimas que derramei, foi quando finalmente ele recebeu sua verdadeira redenção, quando Hurley o chama para ser seu número 2, ajudando-o a guardar a ilha, sendo seu Richard Alpert. Benjamin Linus será um dos personagens mais inesquecíveis que eu já tive o prazer de acompanhar.

Por fim, o personagem que jamais pensaria que um dia iria gostar, jamais pensaria que se tornaria alguém que me identificasse, jamais pensaria que fosse se tornar meu último personagem preferido. Um personagem que me fez gritar assistindo-o sua luta no penhasco, um personagem que a cada soco dado na sua última luta me fez dar um soco na perna, vivendo com ele a sua fúria. Um personagem que ao mostrar que ia se sacrificar me fez, para não parar, começar a chorar com Lost. Minhas lágrimas vieram junto com a do Hurley, quando Jack Shephard resolveu se sacrificar pela única coisa na qual não tinha arruinado na sua vida, a única coisa que ele encontrava razão, motivo para viver, sua verdadeira função, sua redenção.
Jack deixou de ser um Man Of Science e se tornou um Man Of Faith, um dos acontecimentos que mais mexeram comigo, pois vi isso acontecendo comigo. Jack para mim foi o grande herói da série, o grande exemplo, um grande homem.

Obs: Acabei de conversar com meu amigo Raphael no telefone sobre LOST e perdi o caminho do texto. Me dêem um tempinho para me lembrar.

Quando se ve Lost, voce sabe que não pode imaginar o que vem pela frente, e tudo indicava um final um triste, e o andamento do episódio mostrava a história que acontecia na ilha meio andando errado, e vinha crescendo uma angústia, pois eu não queria mais que ninguém ali sofresse mais ou acontecesse algo de errado novamente para eles. E quando eu fui vendo todos se perdoando, as coisas dando certo... foi tão maravilhoso.

Eu jamais pensei que me emocionaria com algo como aconteceu ontem. Um misto de emoções tão variadas e intensas que me fizeram debulhar em lágrimas, tremedeiras e alguns soluços que só a minha irmã teve o prazer de presenciar. Não se pode repetir um momento na vida de maneira igual. Assistir o episódio final de Lost foi uma das grandes experiências que eu já tive em toda minha vida, não espero que ninguém compartilhe e nem entenda o quão isso mexeu comigo e até mesmo quem acompanhou com o mesmo fulgor não pode entender o que aconteceu comigo ontem, até porque eu mesmo estou surpreso. Desde que o Hurley chorou pela decisão do Jack até o final eu estava apenas derramando uma lágrima ou outra de forma esporádica, mas quando a luz, na minha imaginação, do paraíso, inundou a igreja e todos eles sumiram pela última vez da minha vida, quando Jack fechou seus olhos na ilha se entregando a morte de uma vida que em seu final se realizou de forma heróica e honrosa, de forma amorosa e finalmente quando eu vi a palavra LOST pela última vez só me restou abaixar a cabeça e aí sim me entregar a lágrimas tão verdadeiras que me pegaram de surpresa e ficar um bom tempo deixando esvair aquele misto de emoções que me encheram e hoje dão lugar a um vazio.
Mas eu creio que esse vazio veio acompanhado de um crescimento interior, ter finalmente chorado por vidas de outros, por vidas de ficção, me fez entender que houve em mim um crescimento e amadurecimento sentimental.
Quando comecei a ver, não levava fé, depois passei a gostar, acompanhar um pouco, precisou chegar no último episódio da quinta temporada para mim achar a melhor série que tinha visto e precisou chegar ao fim para perceber que foi a melhor coisa que eu já vi em toda minha vida.
Acho que Lost me fez evoluir um pouco.
Obrigado a Lost e obrigado por ler.

Eu pretendia dizer muito mais, mas eu esqueci, com certeza me lembrarei mais tarde, mas ficará no mistério.


3 comentários:

  1. Não há como esquecer. Mas infelizmente chegou: The End.

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  2. Lost. Eu não tenho palavras para expressar a minha felicidade por viver neste tempo que vivo hoje, e ter tido a oportunidade de acompanhar esta série que sem dúvida marcou a história da TV mesmo. Eu fico olhando pro futuro e pensando no meu filho me perguntando: "Pai, o que foi Lost?". E então eu responderia para ele todas as maravilhosas experiências que essa série me proporcionou. Talvez ele não leve muita fé, ache cafona, muito "anos 00", mas o fato é que essa série ficará para sempre marcada dentro de mim, dentro de nós.

    Todos aqueles que passaram por aquela ilha precisavam um dos outros, e é sobre isso que Lost sempre tratou. Da importância dos relacionamentos, do aprendizado um com o outro. E quantas vezes estamos perdidos na nossa vida e é um amigo que faz a gente se encontrar?

    Sem dúvida, faço das suas palavras as minhas. Não chorei tudo o que você chorou - acho que minhas lágrimas se adiantaram na morte daquele casal no fim de The Candidate. - mas a emoção que senti e o peso por ter visto aquele último LOST na minha frente foi o mesmo.

    Agora acabou. É o fim.
    We need let it go, and movin'on.

    Let's go find it.

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  3. Foi mais do que épico. Foi emocionante. Muito legal essa sua identificação! Lost foi épico. O final foi justo e esperançoso, foi de redenção, foi pacífico, foi feliz. Apesar de todo sofrimento, foi feliz. E isso que é legal: os personagens passaram por situações difíceis, muitos morreram, mas todos tiveram sua redenção. E o FINALE não foi o FINAL. O FINALE foi o momento de seguir em frente e "let go".
    Parabéns pelo post! Essa identificação com os personagens é MUITO foda mesmo em Lost. Cada um deles.

    Abraços!

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